terça-feira, 10 de outubro de 2017

O contato do bebê com o peito...



Simples assim: estimular o contato, 
A mãe e o filho em seu colo, frente a frente, 
O cheiro, a temperatura, a cor, o tato, 
E uma mãe contente, e um bebê contente... 

Simples assim, como se fosse o contrato 
De um vínculo que vai durar eternamente, 
Eliminando de uma vez o hiato 
De uma mãe ausente, de um bebê ausente... 

Estimular o contato: a mãe, o filho, 
A mesma vocação, o mesmo trilho, 
A mesma vontade, a mesma direção... 

Estimular o contato... E não precisa mais nada, 
A natureza, sempre que bem cuidada, 
Toma conta da sua própria proteção... 

domingo, 8 de outubro de 2017

O piquenique

Poema comemorativo dedicado ao encontro de mães vitoriosas da UTI Neonatal Nicola Albano e de seus pequenos guerreiros em 23 de maio de 2015 que aconteceu no CEPAP, Campos dos Goytacazes, RJ, quando elas por iniciativa própria fizeram um lindo piquenique para marcar seu reencontro.


Era uma vez uma mãe,
Que encontrou outra mãe,
Que havia combinado com uma mãe,
Que conhecia outra mãe,
Que era amiga de uma mãe,
Que havia conversado com outra mãe,
Que tinha recebido mensagens de uma mãe
Contando que outra mãe teve uma ideia
Que era uma ideia realmente muito chique:
Vamos nos juntar para fazer um piquenique?

Foi aí que Alessandra combinou com Kele,
Levarem, juntas com Luana e Daniele,
Uma cesta de sanduíches de alegria,
Enquanto Fabiana procurou Geovana,
E após conversarem com Rosana,
Se encontraram com a outra Fabiana
E garantiram alguns cookies de simpatia.

Marcela ligou pra Isabela,
Que avisou pra Noelia,
Que comentou com Natalia,
Que conhecia uma padaria
Que preparava gotinhas de otimismo todo dia...

Grazyela e Tatyla levariam pãezinhos
Recheados de carinhos,
Já Antenora, umas broas,
E Thayná, pastinha de coisas boas...
Alessanda, um bulinho de achocolatado.
Flávia, um bolinho de amor redobrado,
Karina, cupkakes de felicidade,
Kelly, empadinhas de amor de verdade,
Veronica, um pratinho de mulher guerreira,
Debora, um potinho de garra brasileira...
  
Um piquenique de mães,
Ceio de paz,
Mas não seriam somente as iguarias
As responsáveis por suas alegrias
Naquele piquenique combinado.
Olha só quem também era esperado:

Bianca e Leticia,
Que delicia,
E também Maria Rita, moça bonita,
Maria Cecilia, que maravilha,
E mais Pedro e Noah, que coisa boa,
E olha que irado:
Matheus, Eduardo e Bernardo
Que nem são levados,
E a lista não para:
Lara e Sara, felicidade rara,

E eu acho que ouvi
Que Heitor e Davi
Ficaram de ir,
E para não haver escarcéu
Trariam Ruan e Miguel,
E Anthony e Samuel,
Que são como anjinhos do céu,
Isso e que é
Uma festa de arromba:
Davi e Amanda,
Completando a banda,
Lara e Isabela para ficar na janela,
E um dia feliz pra Mayte e Beatriz.

Um piquenique
De mães e filhos,
Filhos da mesma superação
Um piquenique de mães e filhos,
Que pareciam irmãos.
Um piquenique
De mães e filhos,
Cantando a mesma canção,
Nas mesmas vozes...
Um piquenique
De mães e filhos
Que mereciam dias felizes.
  
Depois daquele dia,
Pelo que se sabe,
Essas mães e esses filhos
Nunca mais se afastaram,
Perceberam que formavam
Uma grande família,
Não pelo berço em que eles nasceram,
Mas pela história comum
Que atravessaram.
Uma história comum,
Mas incomum,
Que mães e filhos,
Juntos,
Superaram.

Era uma vez uma mãe,
Que se identificou com outra mãe,
Que havia se conhecido uma mãe,
Que sabia de outra mãe,
Amiga de uma mãe,
Que havia consolado uma outra mãe,
Que tinha recebido força de outra mãe,
Que chegou à seguinte conclusão:

Ser mãe
Do jeito que cada uma de nós fomos,
Passando pelo que nós passamos,
Vivendo os dias que nós vivemos,
Enfrentando os medos que nós enfrentamos,
Arriscando tudo que nós arriscamos,
Conhecendo de perto a dor que conhecemos,

Fez com que a gente se tornasse mãe
De uma forma que a gente não conhecia,
Mistura de incertezas com certezas,
Mistura boa da fé de quem confia,
Tendo a força de Deus por garantia,
Tendo seus anjos em nossa companhia,

Era uma vez uma mãe,
E outra mãe,
Mas na verdade
Acho que era não,
Uma mãe e outra mãe e outra mãe,
Quando se juntam,
São como se fossem um só coração.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

O leite de peito não vaza

É muito comum o uso da expressão "meu leite está vazando"
Ela remete imediatamente a imagem de mamas encharcando a roupa da nutriz, como bem cabe a uma expressão auto explicativa, que dispensa legendas.
Se a gente tentar entender as coisas como elas são, vamos concluir que o gás de cozinha vaza quando o botijão está mal vedado, que a água do balde vaza quando ele está rachado e que se o cano vaza significa que ele está com defeito em suas juntas e conexões.
Mas é o leite materno? Será que ele vaza quando a mama está rachada, quando ela está muito cheia ou quando está apresentando algum defeito no seu papel de guarda do leite? Seria adequado pensar no leite vazando da mama como se pensa em um apartamento do andar de cima vazando para o apartamento do andar de baixo?
Quando se diz que a mama vaza pode se entender que ela o faz assim como o copo cheio ou como o balde rachado?
Na verdade dizer que a mama vaza chega a ser um exagero ou mais exatamente um erro. E isso por uma única e definitiva razão: a mama não vaza.
Dizer que mamas não vazam pode parecer uma afirmativa falsa.
Mas vejamos:
É coração materno quando está tranquilo ou em paz o principal responsável por acionar um mecanismo hormonal neurológico e muscular que espreme os minúsculos saquinhos localizados na mama, saquinhos onde o leite está armazenado esperando ser sugado, e nessa expressão expulsa o leite que jorra e escapa pela mama como numa explosão de alegria da mesma forma que a lava jorra de um vulcão  ou que o jato de espuma  jorra da garrafa durante as comemorações de fim de ano, e como resultado dessa contração o leite vai expulso da mama como um grito líquido que traduz a prontidão materna para a amamentação.
Mas não é o leite superficial e próximo da saída da mama o que essa força do bem estar materno expulsa gerando o que erroneamente chamamos de vazamento do leite. As estruturas mais profundas do interior da mama são contraídas com tanta intensidade para trazer o leite das camadas mais distantes para o exterior que muitas vezes nessa força incomparável as mamas chegam a fisgar, revelando a intensidade e amplitude desse reflexo e mostrando sua complexidade e o envolvimento de várias estruturas para sua execução.
O leite materno não vaza simplesmente como um gás ou como um leite que ultrapassa a borda do canecao.
O leite que escapa da mama é certamente a forma concreta do mais belo poema materno escrito sem precisar de palavras mas que poderia se chamar felicidade.
  

sábado, 9 de setembro de 2017

Alice e seu livrinho...


Eu preparo uma canção silenciosa
De um silencio que quase cause inquietação,
Escrita sem palavra, inútil e dispendiosa,
Num idioma de pura percepção,

Eu preparo uma canção minuciosa,
Quase inaudível, mas sem desatenção,
Composta de arquitetura cuidadosa,
Delicadamente elaborada... Uma canção

Que faça acordar os homens poderosos
Para o poder dos gestos silenciosos
E para a força das palavras mansas...

Uma canção que se espalhe aos quatro ventos,
Que faça acordar os homens desatentos,
E adormecer as crianças...

sábado, 24 de maio de 2014

II Encontro de Pais e Cuidadores de Bebês Prematuros de Campos
15 e 16 de maio de 2014. Campos dos Goytacazes - RJ.

Material disponibilizado para download.

Livro "Poemas para Almas Apressadas".

Curso de Amamentação em Prematuros sob a ótica do cuidado individualizado e voltado para o seu desenvolvimento.
Download do Curso.

O filho que eu quero ter.
Assistir ao vídeo.